Concepção de textos e tabelas
ORIENTAÇÕES PARA A ELABORAÇÃO DE TEXTOS DE PAREDE EM MUSEUS
Concepção de tabelas é uma iniciativa da Campaign for Museums, organizadores da Museums and Galleries Week, apoiada pelo Departamento de Educação e Emprego, levada a cabo no âmbito do Ano Nacional da Leitura. Conta com o apoio da Museums and Galleries Commission, da Museums Association e do Museum Designers Group. Esta primeira edição de Concepção de tabelas - Orientações, que apresenta conselhos práticos, estudos de caso e comentários, tem por objectivo originar o debate em torno da concepção e elaboração de tabelas e a interpretação, ao mesmo tempo que fornece informações de carácter prático para os museus e galerias, para escrever tabelas fáceis de ler e de interpretar, de modo a beneficiar os visitantes.
Loyd Grossman,
Presidente da Campaign for Museums
EXALTANDO O TEXTO HUMILDE
Prefácio de Maurice Davies, Director da Museums Association
Os museus estão a usar técnicas cada vez mais sofisticadas para promover a interpretação e a educação. Parece que todos os números do Museums Journal ou da Museum Practice apresentam novos elementos de áudio ou de tecnologias multimédia, novas formas de atingir audiências restritas, abordagens inovadoras e mais funcionais de design e exibição.
Mas rodeados por toda esta aura de experimentação e de inovação, parece que estamos a negligenciar o mais ubíquo elemento de comunicação - a tabela do objecto. Mesmo nos dias de hoje, em que o uso de guias-áudio digitais hi-tech é bastante frequente, na minha opinião ainda é aceitável dizer que a maioria dos visitantes da maior parte dos museus obtém a sua interpretação a partir de material escrito, muito do qual se encontra em tabelas de objectos. E os colaboradores dos museus passam muito tempo a escrevê-las ou pelo menos a discutir a melhor maneira de o fazer. As conclusões destes debates sobre a concepção de tabelas são muitas vezes bizarras.
Mostrem-me a tabela e desconstruirei o dogma. Em outros museus as regras são bem diferentes. 1700 abordagens diferentes da concepção de tabelas? Talvez - às vezes é o que parece.
Esta situação é bastante estranha, já que em outras áreas os museus
tentam estabelecer princípios universais de acordo com as boas práticas de
trabalho. Adoramos os nossos códigos de ética para o registo e inventário e
abraçamos alegremente os princípios relativos aos níveis de iluminação, de
humidade e de temperatura consoante o tipo de objecto. No entanto, no que
toca à concepção de tabelas, não parece chegar-se a nenhuma conclusão
satisfatória sobre a melhor maneira de o fazer.
Deste modo, muito tempo é gasto discutindo estas questões sem se chegar a
conclusões e, o que é mais grave, os visitantes são mal servidos e na maior
parte dos casos têm que lidar com tabelas mal escritas, incorrectamente
localizadas ou com letras de tamanho pouco legível. Algumas coisas que os
museus fazem com os textos de parede que elaboram não fazem qualquer
sentido.
Aqui ficam algumas questões dirigidas a todos os que elaboram textos de
parede em museus:
Porque é que os textos dos painéis introdutórios das exposições são tão longos? E porque é que estão localizados de forma a que os visitantes que os lêem bloqueiem a entrada de outros visitantes na sala de exposição?
Porque é que quem elabora as tabelas faz referências cruzadas para outras tabelas, por exemplo, «veja a figura 49»? Será que algum dos visitantes segue realmente essas pistas infrutíferas durante a sua visita?
Que tipo de visão especial é necessária para ler as tabelas que se encontram localizadas na parte de trás do painel ou horizontalmente, na parte da frente, mas em baixo?
Porque é que é tão difícil encontrar a tabela de determinado objecto?
Porque é que as tabelas fornecem, habitualmente, informação «esotérica» em vez de se concentrarem no que realmente se encontra na sala de exposição?
Resolver qualquer destes problemas deveria ser fácil; do mesmo modo, quando lemos um jornal, também esperamos que os artigos estejam escritos de forma clara; e quando entramos numa loja, esperamos que os preços e tamanhos estejam bem visíveis. Então, e face a isto, porque é que tantos museus se mostram incompetentes no que toca à elaboração de tabelas?
É obvio que haverá sempre pessoas que sejam boas a escrever tabelas. Por isso, uma boa ideia será pedir a sua colaboração. E é óbvio que também haverá aqueles que não o são. Em todo o caso, as situações podem ser corrigidas se forem seguidas algumas regras básicas. Este folheto tem, assim, como objectivo, estabelecer algumas linhas directrizes no sentido de auxiliar a criação de tabelas precisas e interessantes, que simultaneamente estimulem o pensamento e a curiosidade e que respondam às questões mais óbvias colocadas pelos visitantes.
Orientações
Estas sugestões sobre a produção de textos foram originalmente pesquisadas por David Martin para um artigo na Museum Practice 5 (publicado pela Museums Association, 1997).
«Qualquer que seja o conteúdo, o texto deve poder ser rápida e confortavelmente assimilado para ter a hipótese de comunicar com os visitantes.»
Conteúdo
O conteúdo do texto será determinado pelo público-alvo. Este pode estar bem definido, como, por exemplo, um grupo de crianças em idade escolar com uma determinada idade, ou pode ter uma abrangência mais ampla: grupos familiares, compreendendo idades que vão das crianças aos idosos. A identificação da audiência vai influenciar:
- O que desejamos transmitir (falando sobre o assunto que o público-alvo deseja saber).
- A forma como o dizemos (vocabulário, estilo e linguagem).
- Quem deve escrever o texto (um especialista no assunto, ou alguém com boas qualidades literárias ou de edição de texto).
Linguagem e estilo
A escolha da linguagem e do estilo devem ser adequadas ao público-alvo (formal, factual, coloquial?)
- A audiência vai ser abordada directamente, ou não? (por exemplo: «Se olhar com atenção para o fóssil, vai poder ver…» ou «Após uma inspecção cuidadosa o fóssil…»)
- Na organiza&cce